XXI ENCONTRO NACIONAL DE PASTORAL AFRO-COLOMBIANA

O XXI Encontro Nacional da Pastoral Afro-Colombiana (EPA) realizou-se em Cartagena, no Conselho da Comunidade Afro-Colombiana e no Município de San Basilio de Palenque, de 18 a 21 de setembro. O tema do encontro foi “Ubuntu”: Espiritualidade afro para uma Igreja profética.
Nesta grande assembleia, em que participaram delegados de grande parte do território nacional, com o acompanhamento do Arcebispo de Cartagena e Presidente da Conferência Episcopal da Colômbia, do Arcebispo de Popayán e do Bispo de Soacha, reflectiu-se sobre o caminho e a visão da Pastoral Afro-colombiana, sobre o nosso sonho de Igreja, sobre o caminho em conjunto, sobre o reforço do papel de liderança e de decisão das mulheres nos nossos processos pastorais.
Celebrando a Eucaristia junto ao túmulo de São Pedro Claver, o autointitulado “escravo dos escravos negros para sempre”, reafirmámos o nosso compromisso de continuar a ser uma luz na vivência dos valores e princípios cristãos no seio da Igreja Católica e a partir da nossa identidade histórica e cultural.
CONTRIBUTOS E CONCLUSÕES DA REUNIÃO
Prof. Alfonso Cassiani
- Reconhecendo o valor dos APE, recordou-nos a importância de percorrer o caminho da superação e da reconciliação com as feridas do povo afro, pois a reparação histórica é essencial para avançar.
- A narração histórica da presença do povo afro em Cartagena permite-nos compreender a perda de dignidade que o povo negro recebeu ao ser transformado em objeto de mercantilização. Nesse contexto, convida-nos a ter a clareza epistemológica que esse processo merece, uma vez que a categoria correta para se referir a esse processo é escravização, dadas as implicações e formas subjacentes de relação
expressas (eles tinham escravizadores, não senhores).
- Pensar a atualidade é reconhecer o ganho de espaços de decisão a diferentes níveis. Há necessidade de voltar à forma colectiva.
- Nesta ordem de ideias, é necessária uma pastoral inclusiva, olhando para os pobres e um compromisso concreto com a paz. Ser uma igreja para o povo com os pobres.
Sr. Edwin Salcedo
Apresentou uma trança analítica para reconhecer a situação do povo negro, três pontos interligados:
- O acesso ao conhecimento, que não se refere à educação ou ao sistema educativo, porque sabemos que já estão criados com um modelo específico,
é o acesso ao conhecimento que contribui para a transformação.
- Espaços de representação: descritivos, substantivos e proporcionais.
- Acesso ao poder económico, político e social
O papel do negro nestes espaços políticos continua a ser um papel de resistência. Para os negros, os problemas não são motivo de lamentação, mas a oportunidade de buscar formas de criar bem-estar juntos.
Para isso é preciso unir-se, pactuar e fazer propostas, participar de programas de formação popular, é uma obrigação nos formarmos hoje para responder e saber exigir nossos direitos.
Padre Neil Quejada Mena
O ponto de partida foi a afirmação de que a pastoral afro é reivindicação, ou seja, profecia. É a metodologia do caminho do povo afro na América que leva a certos acordos para garantir a expressão da espiritualidade e para viver a cultura, porque cultura e fé não se dividem. Por exemplo, a missa não é interrompida, a compreensão do território.
Esta pastoral pensa o sujeito afro na Igreja.
Venanzio Mwangi
A Igreja com que sonhamos:
Uma igreja que valoriza o passado cristão do continente africano e do seu povo 2.
- Uma igreja samaritana
- Uma igreja que não se envergonha de proclamar Jesus Cristo encarnado no povo negro.
- Fazer uma opção autêntica pelo povo afro.
- Uma Igreja que reconhece o direito de proclamação do povo negro.
- Uma Igreja sem medo da inculturação
- Uma igreja disposta a ouvir e a aprender com a sabedoria ancestral.
- Uma igreja que santifica e nos fala de santidade numa face negra.
- Uma igreja cujos ministros compreendam a partir das culturas das suas comunidades.
- Uma igreja com um rosto feminino
- Uma igreja aberta e acolhedora - família de Deus, com um rosto sinodal.
- Uma igreja com rosto próprio, na qual devemos trabalhar e propagar para continuarmos a ser igreja
Advogada Mariela Milanés
Desafios para a inclusão das mulheres negras nos espaços de decisão e participação.
Primeiros passos para tornar mais visível o papel das mulheres nos espaços de decisão:
- Reconhecer os direitos das mulheres que são sujeitos de direitos humanos.
- Questionar os papéis históricos que as mulheres desempenharam, são papéis de cuidado? Quais foram exclusivos? Alimentação, logística, captação de recursos, etc.
- Criar agendas com a participação das mulheres. A construção de uma agenda exige que os atores se reúnam para conversar, e o papel das mulheres é necessário nesse processo de construção de agenda; para onde vai a pecuária? Para construir uma agenda mais próxima das mulheres.
- Que novos papéis queremos ver no próximo encontro?
Pe. Elias Dominick
Ubuntu é um modo de vida, um modo de ser e de fazer. É a essência da pastoral afro. Pode ser teorizado, mas é realmente um espírito que nos une e nos permite ser como somos com os outros. Dá um rosto humano a todos os aspectos da vida. É um humanismo de reciprocidade, onde a comunidade é mais importante do que o indivíduo e a sobrevivência depende das outras pessoas, de todo o grupo ligado na mesma sintonia.
O Ubuntu permite a construção de comunidades africanas e afro-descendentes independentes.